“A fluidez da modernidade contemporânea”
Este texto trata-se de uma reflexão sobre, principalmente, o prefácio e capítulo 3 do livro de Zigmunt Bauman, Modernidade Líquida. O autor apresenta uma análise teórica, respaldado em uma grade da sociologia política e filosofia. Trata-se de uma análise da sociedade contemporânea que ele a denomina como líquida graças aos laços fluídos das relações sociais fortemente enraizadas nas tecnologias avançadas de informação e comunicação (TAIC).
Bloco do resumo crítico
As relações e a pesquisa – e principalmente a forma de buscar esses procedimentos – sofreram modificações devido à informatização e desenvolvimento das tecnologias de comunicação e informação (TIC) que culminaram no informacionalismo, também chamado de “pós-industrialismo” por Bell, “modernidade líquida” por Bauman ou ainda “capitalismo tardio” de Mandel e “modernidade reflexiva” por Giddens. Essas expressões estão ligadas às transformações nas relações, na estrutura do trabalho e reestruturação do capital na sociedade.
Esta nova mudança de ordem que implica no posicionamento dos atores, a lidar com a informação, é a suposta modernidade líquida, onde solta-se o freio da “[...] regulamentação, da liberalização, da flexibilização, da “fluidez” crescente, do descontrole dos mercados financeiros, imobiliário e de trabalho [...]” visando à construção de uma “[...] ordem nova e melhor para substituir a velha ordem defeituosa [...] da modernidade sólida, pesada, industrial”. (Bauman, 2001:11-12).
Segundo o Bauman (2001) a modernidade líquida é fluída, contemporânea e de características nômades (seja para sujeitos ou capital) e em forma de rede, contrapondo ao fordismo solido, condensação e formas sistêmicas. A apresentação dos membros como indivíduos é a marca registrada da sociedade moderna. (Bauman, 2009).
Para Bauman (2001:16) a “[...] velocidade do movimento e o acesso a meios mais rápidos de mobilidade chegaram aos tempos modernos à posição de principal ferramenta do poder e da dominação.” Neste estágio fluído da modernidade, as grandes massas ainda presas ao princípio da territorialidade – por questões sócio/econômicas/informacionais ou por serem evitadas pelas economias desenvolvidas – são uma maioria assentada e “[...] dominada pela elite nômade e extraterritorial”. (Bauman, 2001:20). Como também explica Santos (2002:91), “[...] estar na periferia significa dispor de menos meios efetivos para atingir as fontes e os agentes do poder, dos quais se está mal ou insuficiente informado.” A distribuição desigual da informação está, segundo Milton Santos, atrelada ao posicionamento geográfico que tem suas distâncias e diferenças duplicadas pela política vigente.
O Estado tem dificuldade de controlar o fluxo de informação e emitir um retorno com a dinâmica que requer o novo padrão imerso nas novas políticas de informação que induzem e são induzidas pelo poder invisível. Por outro lado, “[...] o que o novel Príncipe pode vir a saber dos próprios sujeitos é incomparavelmente superior ao que podia saber de seus súditos mesmo o monarca mais absoluto do passado.” Bobbio (2009:31). Esta afirmativa que corrobora com o texto de Sanchez (2006) pode ser percebida em todo modelo que implica controle da informação, seja no âmbito do Estado como o governo eletrônico, seja no lado comercial como o Google, por exemplo, que colhe todas as informações enviadas ou recebidas por seus usuários – seja por meio de suas ferramentas de e-mail, bate-papo ou em sua busca genérica – com o intuito de formar uma rede que antecipa qualquer demanda informacional que, por ventura, o indivíduo possa ter.
Os atores internacionais “[...] atuam em escala global, concentrando atomizadamente vastas parcelas de poder [...] (Ruas; Carvalho, 1998:4-5). O poder navega para longe das bases reais, para além do alcance e do controle dos indivíduos, mergulhando na “[...] extraterritorialidade das redes eletrônicas.” (Bauman, 2001:50). Seus princípios – como coloca o autor – são fulga, evitação e descompromisso de qualquer ordem, seja econômica ou social, tendo como condição ideal a invisibilidade.
Bloco da conclusão
Conclui-se que o texto é uma ótima leitura e contribui para o debate em torno das novos meios que envolvem as relações na sociedade contemporânea, sendo que sua proposta conclusiva estimula mais questões que respostas; pano de fundo para a reflexão. Para aprofundar mais o tema com enfoque em política de informação, acesse Datagramazero.
Por Barbara CN