A METAMORFOSE… da inclusão à integração

Foto: Nelson Screnci

CONTRIBUIÇÕES DOS CONCEITOS DE INCLUSÃO SOCIAL E INTEGRAÇÃO PARA A INCLUSÃO DIGITAL. Por Barbara Coelho Neves

Concentração e democratização são contextos contraditórios do social que nos levam a refletir sobre o entendimento semântico do termo exclusão e seu par inclusão; como por exemplo, o que se compreende de exclusão social, ou seja, se está incluído ou excluído / integrado ou desfiliado em relação a quê? Estar excluído ou não depende da classe social que o dono do discurso está se referindo.
O medo de estar fora do modelo hegemônico é uma constante e no nosso entendimento, na formatação da sociedade atual, tem funcionado como combustível para competição por postos de trabalho. Colocando, diretamente nas mãos dos indivíduos a responsabilidade pela educação, cultura e empregabilidade. Embora que hoje as discussões da inclusão digital estejam em torno das questões ligadas à empregabilidade dos sujeitos, percebemos que foi fortemente enraizada na problemática do consumo de bens e serviços que surgiram no Brasil os debates pioneiros sobre a temática.

Com base nas análises em torno da inclusão digital observamos uma forte vertente que entende a inclusão como passagem de um estado ou de uma situação para outra, ou seja, a inserção do outro em uma condição proposta por um discurso que preza um contexto imposto, hegemônico e homogêneo. Os pontos contraditórios desta linha de pensamento são a intencionalidade e seus resultados. Pois, embora a intenção de “incluir” preze o objetivo geral de que o maior número de pessoas tenha acesso à educação, às tecnologias, ao saneamento, etc., as propostas de inserção anseiam por resultados que indiquem uma homogeneidade quantitativa.

Uma inclusão do tipo controle; proposta por aqueles que se consideram inclusos e que precisam, de tempos em tempos, controlar quem estar dentro, proporcionando o acesso àqueles que estão fora. Esses indivíduos entendidos como exclusos, na maioria das vezes, se manifestam por meio da violência, delinquência ou micro revoluções, pressionando o sistema, logo precisam de alguma forma de controle. Como uma intenção quase perfeita de controlar os problemas e mazelas do modelo capitalista.

A formação de redes no território digital

Os agentes sociais contemporâneos, embora singulares, são complexos por existirem e atuarem em rede.

As redes na concepção vertical – das quais se têm na atualidade formadas por agentes e atores – constituem uma realidade. Antes e depois dessas redes existe o espaço banal, espaço do cotidiano ou espaço de todos. Tanto o espaço banal quanto o espaço das redes (ou de poucos) coexistem no território.

O atual momento tecnológico, que propicia rapidez na mobilidade humana, material e de circulação de vários fluxos imateriais no ciberespaço, não está condicionado à desterritorialização. Compreende-se que o ciberespaço é um dos vetores que proporciona a mobilidade enquanto relação social, podendo indivíduos, grupos e coletividades estarem em vários lugares ao mesmo tempo.

O território se movimenta por meio do funcionamento, operação, estruturação e crescimento das redes sociais. Uma rede funciona por meio de conexões entre diferentes pontos e elementos articulados transformando-os em ‘nós’.

Diante desse contexto, verifica-se a estruturação de uma sociedade alicerçada em tecnologias de informação e comunicação que potencializam ainda mais as complexas redes, proporcionando transformações profundas nas atividades humanas.

Relatório do BDI sobre os Programas UCA / OLPC

Relatório do Banco de Desenvolvimento Inter-Americano (BDI) divulga dados sobre os Programas UCA

Foi publicado em fevereiro de 2012 o Relatório de Tecnologia do Banco de Desenvolvimento Inter-Americano (BDI) ou em inglês (IDB), intitulado Technology and Child Development: Evidence from the One Laptop per Child Program. O documento traz dados e algumas evidências sobre os efeitos de ordem prática, de leitura e cognitivos dos programas One Laptop per Child (OLPC) ou Um Computador por Aluno (UCA) implementado em 36 países, incluindo o Brasil.

Destaque para o Peru, que apresenta um estudo realizado em 319 escolas, que foram dividas em dois grupos, sendo o primeiro (grupo de tratamento) com 209 escolas que receberam o UCA e o segundo (grupo de controle) com 210 escolas onde os computadores não foram implementados. O Relatório informa que houve aumento no número de acesso à internet tanto na escola quanto em casa por meio dos laptops. Contudo, o experimento não percebeu melhoras significativas na aprendizagem das disciplinas, principalmente matemática, na linguagem escrita e oral. Também não foram percebidas influências do programa no relacionamento com a leitura em nenhum dos dois grupos. Sendo que no grupo de tratamento, os laptops continham 200 livros para download. Como saldo positivo o estudo mostrou melhoras quanto ao traquejo na utilização com a tecnologia no grupo de tratamento (escola com UCA implementado).

Este resultado, que também foi noticiado por João Mattar, não me surpreende tanto. Venho pesquisando sobre a relação do sujeito com o computador e a internet, procurando observar evidências de melhoras cognitivas e sociais, e estou a cada resultado mais convencida que a mediação é relevante. A mediação humana é ainda muito importante na relação com as tecnologias, principalmente quando se tem objetivos educacionais e de inclusão social embutidos na proposta. A disponibilização de computadores e internet sem alinhamento objetivo e concreto com a formação dos professores, monitores, tutores e ao currículo ou proposta pedagógica não podem fazer mágica.

Contudo, penso que os dados do IDB com respeito ao Peru representam um resultado extremamente relevante e que deve ser observado como parcial ou primário dentro de uma perspectiva de longo prazo. O programa foi analisado após 15 meses de sua implementação no Peru. Também deve ser comparado com outras experiências de implementação do UCA em outros países, a exemplo do Conectar Igualdad da Argentina, que tem apresentado resultados positivos.
Documento citados:
- IDB http://www.iadb.org/en/research-and-data/publication-details,3169.html?pub_id=IDB-WP-304; – Conectar Igualdad ; – Blog João Matar ; – Abordagem cognitiva da inclusão digital. Fonte da foto: Nytimes.

Ta sabendo da etnografia virtual?

Imagem: Secondlife.

O ciberespaço, ambiente predominantemente urbano e caracterizado pela comunicação viabilizada pela convergência de tecnologias, tem sido alvo, já algum tempo, de conteúdo de pesquisas. Uma das metodologias, que vem sendo bastante utilizadas para aproximação do conteúdo, enquanto objeto, vem sendo a etnografia, nesse espaço fluído conhecida como etnografia virtual.
Essa prática de pesquisa virtual tem origem nos aportes teóricos da antropologia e os pesquisadores se baseiam fortemente em Lévi-Strauss. No ciberespaço, a etnografia vai tratar de observar uma parcela muito pequena do fenômeno maior da sociedade. Contudo, o estudo desse efeito menor visa conferir indícios de um efeito bem mais abrangente na sociedade, que a relação proporcionada pelas tecnologias de informação e comunicação (TIC).
A etnografia virtual vem sendo uma metodologia pertinente para estudos em chats, fóruns, congressos on-lines e comunidades virtuais de ordens variadas. Envolvem a reunião de documentação a respeito do tema estudado nestes ambientes, participação, entrevistas pessoais e questionários. Tudo isso em uma perspectiva que compreende observar-participar e registrar tudo, tendo a consciência que se trata de um contexto fluído e de características desterritorializadas, onde os participantes executam papeis com maior facilidade que no ambiente “real”, ou seja, fora da internet.
Mas será que todo este esforço não esbarra, exatamente, na dificuldade de captar um fenômeno que por essência é irreal? Será que no fundo, trata-se do que PLANELLS, provocou como registro banal?

Crônica dos comuns: Internet e co-autoria


E então, trata-se da “morte do autor” ou de um autor mais explicitamente colaborativo?
Ao análisar o movimento histórico da autoria, todos os seus fenômenos, desde o inico da história, quando os primeiros humanos relatavam suas experiências em paredes das cavernas, podemos perceber que a co-autoria sempre existiu. Penssemos na idade média quando os escribas nos monsteiros “em seus trabalhos de transcrição nitidamente isolados” adicionavam, àqueles novos produtos intelectuais, novos contextos e por vezes novas abordagens.
O co-autor não é somente aquele que assina a seguir do autor em uma obra, mas também todo sujeito que adiciona de maneira direta e indireta entendimento e significado. A construção do conhecimento é sempre conjunta e requer um movimento constante. O que nós conhecemos é o conhecimento de tudo que já conheceram, adicionado a nossa parcela de contribuição das coisas do “mundo em si” em seu movimento atual.
Na internet, essa co-autoria está explicita através dos dispositivos da Web 2.0, como blogs, e as comunidades, a exemplo das que tratam do software livre.

Assim, vale a máxima do conhecimento popular: “quem conta um conto, sempre adiciona um conto”.
Por Barbara Coelho

INCLUÍDO DIGITAL: Ser ou não ser? eis a questão.

PID de Mucuri-BA. Foto: Barbara Coelho
INCLUÍDO DIGITAL: Ser ou não ser? eis a questão.
No atual estágio de meus estudos tenho me questionado quanto ao que é inclusão digital. Porque este termo que tem povoado minhas leituras, pesquisas e escritos parece, ultimamente, levantar ainda mais contradições. Quando comecei minhas pesquisas sobre este tema questionava o que é realmente inclusão digital, depois passei a perguntar quais os elementos que indicam uma pessoa, município ou país ser mais incluído digital que outro. Retorno a estas questões, aparentemente básicas, mas hoje, com o entendimento de que não existe um ente de fato excluído da sociedade. Quero dizer, que como a tecnologia é o reflexo da sociedade, não há como de fato se ser excluída desta. Mas ao mesmo tempo me questiono sobre as pessoas que nunca tiveram acesso aos meios digitais. Como devemos designá-las? Então deveria ir mais além e dizer que tal pessoa, certamente, deverá não ter acesso também a outros meios, a exemplo da alfabetização. Então, estarei dizendo que a escola tem também o papel de incluir o indivíduo nos meios digitais, o que me coloca frente a mais um questionamento: A escola é incluída digital?
Desse modo, podemos pensar os questionamentos por partes. Na atualidade compreendo que pensar a inclusão digital em três perspectivas, pode ajudar a procurar mais elementos que apóiem no entendimento dessa celeuma. Pensemos que podemos entendê-la como acesso, como treinamento e como formação. Esse entendimento foi clareado após os debates na última palestra da professora de Educação, Comunicação e Tecnologias, Maria Bonilla. O acesso é importante, mas não suficiente. Na perspectiva do acesso, observamos a discussão da infraestrutura e toda a forma de apelo dos parlamentares em seus discursos. A perspectiva do treinamento parece ser, a meu ver, aquelas discussões sobre os projetos que foram implementados e que conseguiram se manter, com muito custo, mas que não se constituem de fato uma “inclusão digital” desejada para proporcionar um salto qualitativo da população. No atual contexto, seriam as poucas iniciativas que chegaram a um estágio do que se tem de mais avançado no País. Ou seja, um treinamento que visa potencializar parcelas da população que está “excluída” – a margem do processo capitalista fortemente enraizado pelas TIC – no núcleo do consumo da informação. Já a proposta de inclusão digital que visa à formação dos indivíduos parece apresentar características que podem proporcionar este salto, pois a pretensão dos mais entusiastas – não me eximo disso – é o envolvimento de várias categorias e da compreensão que o processo sócio-histórico influencia no contexto de desenvolvimento. Trocando em miúdos, a escola parece ter condição de destaque nessa perspectiva por apresentar os caminhos para a formação, uma vez que esta é a célula mater da educação. O mesmo pode se pensar para outros organismos como a Biblioteca, cuja função também é a de contribuir com a visão crítica dos sujeitos.
Assim, está longe deste texto discutir com profundidade estes elementos, mas de sim adicionar mais elementos a celeuma do “incluído” e “excluído” que envolvem as discussões sobre o tema da inclusão digital. Contudo, acho que um passo importante foi tomado na minha concepção de inclusão digital e da necessidade de se entender sua problemática, partindo do para o além do acesso.
Por Barbara Coelho

Crônica dos comuns – Acesso aberto: trocar maçãs ou ideias?

Imagem: B33p
“Se eu troco com você uma maçã teremos uma maçã, mas se eu troco uma ideia com você teremos, então, ideias…” Bonilla.

As forças corporativas que controlam os mercados e a economia teimam em controlar os recursos naturais, o acesso à informação, dentre outros, com a força da historicidade que há muito conhecemos. Essas forças tomam a forma de atores como a mídia, corporações, religião e o próprio Estado.

Gradativamente as sociedades de vários países têm sofrido com privatizações e com isso a perda de bens comuns. Lembremos das questões que envolvem a privatização da água na Bolívia e em países da Africa e Asia.

Entendo que o creative communs pode evitar a estabelecimento dos tradicionais planaltos do conhecimento crados por outros e passados de maneira intocável para a sociedade. Nas estuturas de acesso aberto, todos podem colaborar, agregar, construindo uma história comum com o sentido de sua própria história. Já dizia Milton Santos que a outra globalização é possível com a apropriação das tecnologias de comunicação e informação pelo homem comum. A possibilidade de utilizar as TIC para cultura, para lazer, se apropriar e desenvolver o conhecimento deve ser direito de todos. Deve ser comum.

Contar com a colaboração dos pares é o processo da história natural; Os saltos qualitativos se dão quando se segue uma linha de determinado conhecimento e se acrescenta uma nova idéia, em colaboração ao que já se tem. As ideias não precisam de intermediários corporativos na internet.
Por Barbara Coelho

Mais sobre commons:
1- Vídeo The Commons.
2- Víedeo Conheça a licença Creative Communs CC.

Crônica dos comuns: Computação em nuvem e “educação em nuvem”

Imagem: Economico.pt
Computação em nuvem e “educação em nuvem”
Computação em nuvem trata-se um modelo de computação oferecido como um serviço, aos moldes do serviço de distribuição de energia elétrica. Bom este já é um ponto interessante para reflexão, visto que até o momento a rede internet, embora tenha incorporado a mesma proposta, ainda não viabilizou na prática este método de distribuição.

Contudo, a computação em nuvem possibilita a oportunidade de interligar sistemas de computação disponíveis em uma organização, criando uma rede ampla e dinâmica por possibilitar a interconexão com outros recursos digitais, a exemplo de ipad, celulares, etc. Este procedimento traz como principal objetivo maximizar com flexibilidade os recursos informáticos, com base no conceito de virtualização, formando uma rede compartilhada, onde as informações são processadas a partir de qualquer computador em tempo real. Trata-se de uma tema que dialóga fortemente com a Web 2.0 e inclusão digital.

Segundo Mansur, et al (2010), a computação em nuvem representa uma alternativa, como um novo rumo para a educação, fundamentado-se em autores como Lynch e Bencler – estudiosos de informática e sociedade em rede – que migram o conceito para a área educacional.

O que os autores denominam de educação em nuvem, tomando por base o conceito de computação em nuvem, se difere da educação à distância graças aos menores custos com os aparatos computacionais. Já que as transferências dos pacotes de dados se dão pelos computadores disponíveis em toda a rede, ou seja, sem ficar a mercê do servidor. As transferências podem ser acessadas a partir de qualquer dispositivo, fator que realmente quebra barreiras, pois de acordo com o IBGE (2005), o número de celulares ainda supera os números de computadores na realidade brasileira.

Nessa perspectiva, a “educação em nuvem” representa mais uma oportunidade de se possibilitar o alcane à “àgora digital”, onde todos os conhecimentos estariam abertos em flutuação constante na rede, sem depender necessariamente de atrelar o acesso em ambientes físicos. Contudo, cabe pensar se este ambiente virtual já existe e se as pessoas que têm a possibilidade de usar dispositivos eletrônicos (celular, TV, videogame, etc.) terão as competências necessárias para acessar o conhecimento disponível na nuvem.

O fato desses dispositivos povoarem a realidade da maioria dos sujeitos é um ponto positivo que com certeza agregará novas possibilidades de acesso à informação para cada vez mais pessoas. Entretanto, cabe a reflexão do que estão chamando de “educação em nuvem”; qual a ligação desta com a escola? trata-se de educação formal ou informal? quem tem acesso e, principalmente, é necessário mediação humana para acessar? No nosso entendimento, essas são umas das questões que precisam ser observadas com certa profundidade antes, até mesmo, de intitularmos mais um termo para a área. Compreendemos que a interconexão sobre estes dispositivos, ou seja, a computação em nuvem corrobora como ampliação dos ambientes por onde podem circular a informação e produção de conhecimentos. Com isso percebemos um alargamento das possibilidades pedagógicas da escola, ou seja, uma coalizão das atividades educacionais aos dispositivos que a nuvem proporciona, conduzindo ao aprendizado.

Mais uma vez, na nossa perspectiva, parece que o debate sobre o acesso e desenvolvimento frente a essas tecnologias deve ser considerado. E, acrescentamos que se trata de um tema com bastante espaço para a discussão e aprendizado.
Por Barbara CN

Para saber mais sobre computação em nuvem na educação, veja:

1 – Mansur, et al. Novos rumos para a Informática na Educação pelo uso da Computação em Nuvem (Cloud Education): Um estudo de Caso do Google Apps. 2010.
2 – Cloud Education – Educação em Nuvem

Crônica dos Comuns – Tecnologia da relação: a Web 2.0

Tecnologia da relação: a Web 2.0
imagem de bsf.org.br

Já dizia o Chico Buarque que os cidadãos japoneses, chineses, espanhóis, lituanos, alemães, bombainos e hindús… fazem, mas para fazer é preciso algum tipo de relação, seja ela intencional, induzida, consequente, etc. A relação é o eixo central da Web 2.0; é o “entre” de acordo com Primo (2007).

Web 2.0, também conhecida como Web Social, trata-se da nova geração de serviços on-line que possibilita “[...] potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações, além de ampliar os espaços para a interação entre os participantes. (Primo, 2007, p.115). Para O’Reilly a web 2.0 se configura como uma arquitetura de participação por funcionar conjuntamente como servidor/cliente e possibilitar o desenvolvimento por meio da usabilidade.

A Web 2.0 tem ênfase na publicação para participação, pois ao publicar suas informações o indivíduo tem acesso à participar da informação de outros sujeitos. O alcance dos blogs como ferramenta de comunicação que proporciona a criação de pequenas redes de amigos ou grupos que possuem interesses em assuntos específicos.

O modelo massivo de internet, não colaborativo, fortalece o centro, enquanto que a Web 2.0 se desenvolve pelas bordas da rede. Sua perspectiva é hibrida entre o pull e o push, ou RSS (sistema que possibilita o internauta ser um assinante de informações atualizadas sobre o seu interesse). Outro aspecto também muito comentado sobre a Web 2.0 é seu mecanismo de indexação, ou seja, as folksonomias que possibilitam a entrada de palavras sem ordem de classificação. As folks possibilitam a indexação livre de termos que visam recuperar a informação, bem diferente das taxonomias (baseado no vocabulário controlado) muito utilizadas para a classificação na indexação do conhecimento nas bibliotecas. As TAGs são as palavras indicadas pelos internautas dos micro blogs, visando criar significado e registro que permite a recuperação da informação.

A Rede social se apresenta como maior contribuição para a rede por permitir a abertura para o trabalho coletivo, sendo uma alternativa aos indexadores. Exemplo disso, Blog em sites fixos de bibliotecas. A web social vem sendo celebrada e tem funcionado em algumas experiências junto às bibliotecas, apresentando bons resultados no estabelecimento de mais um canal de comunicação entre os usuários e os bibliotecários. Muitas instituições têm utilizado serviços da Web 2.0, mas essa vai além de possibilitar a conexão entre organizações e indivíduos, ela promove interação entre os envolvidos. É um fenômeno sistêmico e independente.

Primo (2007) chama atenção a uma questão relevante. Para ele a observação sobre a Web social não deve ter enfoque em um lado (EU-BLOG) ou (TU-sujeito), mas sim observando o relacionamento que é possível ou existe “entre” as partes. Ou seja, no caso da rede social como mais uma ferramenta de comunicação, a observação deve ser também na relação que promove a construção coletiva em torno da proposta que estes atores estão envolvidos. Quando (EU-BLOG) realizo um post, por exemplo, contribuo com a coletividade. Um ato sistêmico e cíclico, onde nosso envolvimento na rede nos faz inventar e sermos inventados pela coletividade. Nessa atitude não precisa necessariamente haver um diálogo. Essa relação de cooperação com a coletividade não é sempre deliberada ou intencional; voltemos a pensar na relação necessária para fazer “algo” de acordo com o trecho da canção do Chico. Façamos… vamos nos relacionar
Por Barbara Coelho

Mais informações sobre WEB 2.0 consulte:
1 – What is web 2.0?
2 – Primo, A. O aspecto relacional das interações na Web 2.0.
3 – Moreiro González, J.A. et al. De repente, todos hablamos de ontologías?

Comunidade Virtual

Comunidades virtuais: conceitos, preconceitos

A noção de comunidades virtuais contrabalança com os conceitos clássicos de comunidade de Weber, Durkheim e Tonnies, onde o pertencimento, a solidariedade, a territorialidade e dos elos baseados nas ligações quase que de ordem familiar, são ultrapassados no ciberespaço, reestruturando a tese do viver em comunidade. Baseiam-se em Turkle para defender que no âmbito das comunidades virtuais procura-se a expressão da própria identidade ou se elabora uma transformação desta. Por outro lado, questões de segregação também podem se formar. Em alguns casos essas comunidades virtuais terminam por refletir problemáticas sociais que colocam em cheque a opinião pública (âmbito social), extrapolando os limites da comunidade. Exemplo disso, cito a criação de guetos e, recentemente, atos de preconceitos contra a nordestinos em comunidades virtuais. Esse seria um ponto negativo das comunidades virtuais, entretanto a propensão à comunicação e identificação com pares, além de possibilitar o reencontro e a disseminação de informações são aspectos positivos.

Outros pontos também tratados é a interatividade com base na comunicação mediada por computador (CMC) e conteúdo cultural.

Compreendo e concordo com o texto que o ciberespaço é resultante da dinâmica da sociedade em seu estágio atual, entretanto no que concerne a sua representação pelo segmento social jovem urbano escolarizado, tenho minhas ressalvas. Pois ao observar os telecentros baianos, foi possível perceber que comunidade virtual se trata de um movimento muito amplo, onde atém mesmo aqueles que não possuem muita escolaridade, ou seja, que muitas vezes nem mesmo são alfabetizados ou precisam de ajuda para entrar no e-mail, possuem registros em comunidades virtuais, a exemplo do Orkut.

Por Barbara CN.

Reflexão respaldada no texto: FONSECA, D.; COUTO, E. Comunidades virtuais: herança cultural e tendência contemporânea. In: PRETTO, N. (org). Tecnologia e Novas Educações. Salvador: Edufba, 2005

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