Destaques de JANEIRO (2011)

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Crônica dos Comuns

Se o contexto da sociedade da informação for observado a partir das raízes de seu subdesenvolvimento, impacta-se nas ações dos conglomerados norte americanos que reduziu a dependência a classe empresarial das nações latinas, dessa forma, interrompendo o desenvolvimento autônomo, de acordo com a análise do Celso Furtado.
Segundo Furtado (2003), estes grandes conglomerados que, principalmente no inicio de sua expansão geográfica na América Latina, tiveram como um de seus significativos aspectos o avanço das técnicas de método, direção e controle da informação. O objetivo era alargar seu horizonte temporal, coincidindo em aumento do poder decisório central sobre seus setores de atuação na Região. Entretanto, essa injeção “high tech” ficou centralizada no âmbito da atuação dos conglomerados, sendo que, na sua maioria, as empresas “sem sentido criador” latino americanas se curvam diante do altar da deusa tecnologia. (GALEANO). Sir Francis Bacon quando criou o sistema de patentes em 1602, visando preservar a propriedade das inovações, costumava ter como máxima: “conhecimento é poder”, o que induziu a Galeano tecer o seguinte comentário sobre dependência crônica proporcionada pela transferência de tecnologia e know-how entre os países avançados e a América Latina: A vasta Região “[…] investe em investigações tecnológicas uma soma duzentas vezes menor do que a que os Estados Unidos destinam a estes fins.”

Ainda que com base nos dados mundiais, os Estados Unidos tenham investido nas últimas décadas uma percentagem relativamente pequena em pesquisa básica e aplicada, em comparação à pesquisa tecnológica e de desenvolvimento, a América Latina procurou seguir uma política de, praticamente, atrofiamento nas duas primeiras categorias de pesquisa. Países como o Brasil acreditaram ser mais rápido, para sua trajetória de desenvolvimento, o estabelecimento de políticas que previam transferências de tecnologias dos países avançados, sobretudo dos Estados Unidos.

O mero transplante da tecnologia dos países adiantados não só implica a subordinação cultural e, definitivamente, também a subordinação econômica, mas, além disso, depois de quatro séculos e meio de experiência na multiplicação dos oásis de modernismos importado em meio dos desertos de atraso e da ignorância, pode afirmar-se que não resolve nenhum problema do subdesenvolvimento. (URQUIDI apud GALEANO).

Estes aspectos ligados à “raiz de subdesenvolvimento” da América Latina, é nitidamente um contexto de dominação econômico contemporâneo, mas que está intimamente relacionado à C&T e educação, impactando na situação da Região quanto à sociedade da informação e inclusão digital.

Por Barbara CN