Comunidade Virtual

Comunidades virtuais: conceitos, preconceitos

A noção de comunidades virtuais contrabalança com os conceitos clássicos de comunidade de Weber, Durkheim e Tonnies, onde o pertencimento, a solidariedade, a territorialidade e dos elos baseados nas ligações quase que de ordem familiar, são ultrapassados no ciberespaço, reestruturando a tese do viver em comunidade. Baseiam-se em Turkle para defender que no âmbito das comunidades virtuais procura-se a expressão da própria identidade ou se elabora uma transformação desta. Por outro lado, questões de segregação também podem se formar. Em alguns casos essas comunidades virtuais terminam por refletir problemáticas sociais que colocam em cheque a opinião pública (âmbito social), extrapolando os limites da comunidade. Exemplo disso, cito a criação de guetos e, recentemente, atos de preconceitos contra a nordestinos em comunidades virtuais. Esse seria um ponto negativo das comunidades virtuais, entretanto a propensão à comunicação e identificação com pares, além de possibilitar o reencontro e a disseminação de informações são aspectos positivos.

Outros pontos também tratados é a interatividade com base na comunicação mediada por computador (CMC) e conteúdo cultural.

Compreendo e concordo com o texto que o ciberespaço é resultante da dinâmica da sociedade em seu estágio atual, entretanto no que concerne a sua representação pelo segmento social jovem urbano escolarizado, tenho minhas ressalvas. Pois ao observar os telecentros baianos, foi possível perceber que comunidade virtual se trata de um movimento muito amplo, onde atém mesmo aqueles que não possuem muita escolaridade, ou seja, que muitas vezes nem mesmo são alfabetizados ou precisam de ajuda para entrar no e-mail, possuem registros em comunidades virtuais, a exemplo do Orkut.

Por Barbara CN.

Reflexão respaldada no texto: FONSECA, D.; COUTO, E. Comunidades virtuais: herança cultural e tendência contemporânea. In: PRETTO, N. (org). Tecnologia e Novas Educações. Salvador: Edufba, 2005

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Destaque de MARÇO (2011)

Olá visitante, obrigada por aparecer neste ambiente. Este mês a Crônica dos Comuns apresenta uma reflexão, baseada em BAUMAN, Zygmunt. A Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001, sobre as relações na atual sociedade estimuladas pelas discussões com a profa. Bonilla na disciplina Educação, comunicação e tecnologias do Doutorado em Educação. Veja também: Eventos na área da Ciência da Informação e Educação e Tecnologias

Crônica dos Comuns

“A fluidez da modernidade contemporânea”

Este texto trata-se de uma reflexão sobre, principalmente, o prefácio e capítulo 3 do livro de Zigmunt Bauman, Modernidade Líquida. O autor apresenta uma análise teórica, respaldado em uma grade da sociologia política e filosofia. Trata-se de uma análise da sociedade contemporânea que ele a denomina como líquida graças aos laços fluídos das relações sociais fortemente enraizadas nas tecnologias avançadas de informação e comunicação (TAIC).

Bloco do resumo crítico
As relações e a pesquisa – e principalmente a forma de buscar esses procedimentos – sofreram modificações devido à informatização e desenvolvimento das tecnologias de comunicação e informação (TIC) que culminaram no informacionalismo, também chamado de “pós-industrialismo” por Bell, “modernidade líquida” por Bauman ou ainda “capitalismo tardio” de Mandel e “modernidade reflexiva” por Giddens. Essas expressões estão ligadas às transformações nas relações, na estrutura do trabalho e reestruturação do capital na sociedade.
Esta nova mudança de ordem que implica no posicionamento dos atores, a lidar com a informação, é a suposta modernidade líquida, onde solta-se o freio da “[…] regulamentação, da liberalização, da flexibilização, da “fluidez” crescente, do descontrole dos mercados financeiros, imobiliário e de trabalho […]” visando à construção de uma “[…] ordem nova e melhor para substituir a velha ordem defeituosa […] da modernidade sólida, pesada, industrial”. (Bauman, 2001:11-12).
Segundo o Bauman (2001) a modernidade líquida é fluída, contemporânea e de características nômades (seja para sujeitos ou capital) e em forma de rede, contrapondo ao fordismo solido, condensação e formas sistêmicas. A apresentação dos membros como indivíduos é a marca registrada da sociedade moderna. (Bauman, 2009).
Para Bauman (2001:16) a “[…] velocidade do movimento e o acesso a meios mais rápidos de mobilidade chegaram aos tempos modernos à posição de principal ferramenta do poder e da dominação.” Neste estágio fluído da modernidade, as grandes massas ainda presas ao princípio da territorialidade – por questões sócio/econômicas/informacionais ou por serem evitadas pelas economias desenvolvidas – são uma maioria assentada e “[…] dominada pela elite nômade e extraterritorial”. (Bauman, 2001:20). Como também explica Santos (2002:91), “[…] estar na periferia significa dispor de menos meios efetivos para atingir as fontes e os agentes do poder, dos quais se está mal ou insuficiente informado.” A distribuição desigual da informação está, segundo Milton Santos, atrelada ao posicionamento geográfico que tem suas distâncias e diferenças duplicadas pela política vigente.
O Estado tem dificuldade de controlar o fluxo de informação e emitir um retorno com a dinâmica que requer o novo padrão imerso nas novas políticas de informação que induzem e são induzidas pelo poder invisível. Por outro lado, “[…] o que o novel Príncipe pode vir a saber dos próprios sujeitos é incomparavelmente superior ao que podia saber de seus súditos mesmo o monarca mais absoluto do passado.” Bobbio (2009:31). Esta afirmativa que corrobora com o texto de Sanchez (2006) pode ser percebida em todo modelo que implica controle da informação, seja no âmbito do Estado como o governo eletrônico, seja no lado comercial como o Google, por exemplo, que colhe todas as informações enviadas ou recebidas por seus usuários – seja por meio de suas ferramentas de e-mail, bate-papo ou em sua busca genérica – com o intuito de formar uma rede que antecipa qualquer demanda informacional que, por ventura, o indivíduo possa ter.
Os atores internacionais “[…] atuam em escala global, concentrando atomizadamente vastas parcelas de poder […] (Ruas; Carvalho, 1998:4-5). O poder navega para longe das bases reais, para além do alcance e do controle dos indivíduos, mergulhando na “[…] extraterritorialidade das redes eletrônicas.” (Bauman, 2001:50). Seus princípios – como coloca o autor – são fulga, evitação e descompromisso de qualquer ordem, seja econômica ou social, tendo como condição ideal a invisibilidade.

Bloco da conclusão
Conclui-se que o texto é uma ótima leitura e contribui para o debate em torno das novos meios que envolvem as relações na sociedade contemporânea, sendo que sua proposta conclusiva estimula mais questões que respostas; pano de fundo para a reflexão. Para aprofundar mais o tema com enfoque em política de informação, acesse Datagramazero.
Por Barbara CN