INCLUÍDO DIGITAL: Ser ou não ser? eis a questão.

PID de Mucuri-BA. Foto: Barbara Coelho
INCLUÍDO DIGITAL: Ser ou não ser? eis a questão.
No atual estágio de meus estudos tenho me questionado quanto ao que é inclusão digital. Porque este termo que tem povoado minhas leituras, pesquisas e escritos parece, ultimamente, levantar ainda mais contradições. Quando comecei minhas pesquisas sobre este tema questionava o que é realmente inclusão digital, depois passei a perguntar quais os elementos que indicam uma pessoa, município ou país ser mais incluído digital que outro. Retorno a estas questões, aparentemente básicas, mas hoje, com o entendimento de que não existe um ente de fato excluído da sociedade. Quero dizer, que como a tecnologia é o reflexo da sociedade, não há como de fato se ser excluída desta. Mas ao mesmo tempo me questiono sobre as pessoas que nunca tiveram acesso aos meios digitais. Como devemos designá-las? Então deveria ir mais além e dizer que tal pessoa, certamente, deverá não ter acesso também a outros meios, a exemplo da alfabetização. Então, estarei dizendo que a escola tem também o papel de incluir o indivíduo nos meios digitais, o que me coloca frente a mais um questionamento: A escola é incluída digital?
Desse modo, podemos pensar os questionamentos por partes. Na atualidade compreendo que pensar a inclusão digital em três perspectivas, pode ajudar a procurar mais elementos que apóiem no entendimento dessa celeuma. Pensemos que podemos entendê-la como acesso, como treinamento e como formação. Esse entendimento foi clareado após os debates na última palestra da professora de Educação, Comunicação e Tecnologias, Maria Bonilla. O acesso é importante, mas não suficiente. Na perspectiva do acesso, observamos a discussão da infraestrutura e toda a forma de apelo dos parlamentares em seus discursos. A perspectiva do treinamento parece ser, a meu ver, aquelas discussões sobre os projetos que foram implementados e que conseguiram se manter, com muito custo, mas que não se constituem de fato uma “inclusão digital” desejada para proporcionar um salto qualitativo da população. No atual contexto, seriam as poucas iniciativas que chegaram a um estágio do que se tem de mais avançado no País. Ou seja, um treinamento que visa potencializar parcelas da população que está “excluída” – a margem do processo capitalista fortemente enraizado pelas TIC – no núcleo do consumo da informação. Já a proposta de inclusão digital que visa à formação dos indivíduos parece apresentar características que podem proporcionar este salto, pois a pretensão dos mais entusiastas – não me eximo disso – é o envolvimento de várias categorias e da compreensão que o processo sócio-histórico influencia no contexto de desenvolvimento. Trocando em miúdos, a escola parece ter condição de destaque nessa perspectiva por apresentar os caminhos para a formação, uma vez que esta é a célula mater da educação. O mesmo pode se pensar para outros organismos como a Biblioteca, cuja função também é a de contribuir com a visão crítica dos sujeitos.
Assim, está longe deste texto discutir com profundidade estes elementos, mas de sim adicionar mais elementos a celeuma do “incluído” e “excluído” que envolvem as discussões sobre o tema da inclusão digital. Contudo, acho que um passo importante foi tomado na minha concepção de inclusão digital e da necessidade de se entender sua problemática, partindo do para o além do acesso.
Por Barbara Coelho

Anúncios

LEV SEMIONOVICH VYGOTSKY

LEV SEMIONOVICH VYGOTSKY – Livro de Ivan Ivic, Coleção Educadores MEC, publicado em 2010.
O que traz de mais interessante são as indicações das obras de Vygotsky publicadas e âmbito internacional e as publicações brasileiras.
Sugiro atenção ao capítulo “Vygotsky Atual” que faz um resumo da obra A formação social da mente.

Crônica dos comuns – Acesso aberto: trocar maçãs ou ideias?

Imagem: B33p
“Se eu troco com você uma maçã teremos uma maçã, mas se eu troco uma ideia com você teremos, então, ideias…” Bonilla.

As forças corporativas que controlam os mercados e a economia teimam em controlar os recursos naturais, o acesso à informação, dentre outros, com a força da historicidade que há muito conhecemos. Essas forças tomam a forma de atores como a mídia, corporações, religião e o próprio Estado.

Gradativamente as sociedades de vários países têm sofrido com privatizações e com isso a perda de bens comuns. Lembremos das questões que envolvem a privatização da água na Bolívia e em países da Africa e Asia.

Entendo que o creative communs pode evitar a estabelecimento dos tradicionais planaltos do conhecimento crados por outros e passados de maneira intocável para a sociedade. Nas estuturas de acesso aberto, todos podem colaborar, agregar, construindo uma história comum com o sentido de sua própria história. Já dizia Milton Santos que a outra globalização é possível com a apropriação das tecnologias de comunicação e informação pelo homem comum. A possibilidade de utilizar as TIC para cultura, para lazer, se apropriar e desenvolver o conhecimento deve ser direito de todos. Deve ser comum.

Contar com a colaboração dos pares é o processo da história natural; Os saltos qualitativos se dão quando se segue uma linha de determinado conhecimento e se acrescenta uma nova idéia, em colaboração ao que já se tem. As ideias não precisam de intermediários corporativos na internet.
Por Barbara Coelho

Mais sobre commons:
1- Vídeo The Commons.
2- Víedeo Conheça a licença Creative Communs CC.

Crônica dos comuns: Computação em nuvem e “educação em nuvem”

Imagem: Economico.pt
Computação em nuvem e “educação em nuvem”
Computação em nuvem trata-se um modelo de computação oferecido como um serviço, aos moldes do serviço de distribuição de energia elétrica. Bom este já é um ponto interessante para reflexão, visto que até o momento a rede internet, embora tenha incorporado a mesma proposta, ainda não viabilizou na prática este método de distribuição.

Contudo, a computação em nuvem possibilita a oportunidade de interligar sistemas de computação disponíveis em uma organização, criando uma rede ampla e dinâmica por possibilitar a interconexão com outros recursos digitais, a exemplo de ipad, celulares, etc. Este procedimento traz como principal objetivo maximizar com flexibilidade os recursos informáticos, com base no conceito de virtualização, formando uma rede compartilhada, onde as informações são processadas a partir de qualquer computador em tempo real. Trata-se de uma tema que dialóga fortemente com a Web 2.0 e inclusão digital.

Segundo Mansur, et al (2010), a computação em nuvem representa uma alternativa, como um novo rumo para a educação, fundamentado-se em autores como Lynch e Bencler – estudiosos de informática e sociedade em rede – que migram o conceito para a área educacional.

O que os autores denominam de educação em nuvem, tomando por base o conceito de computação em nuvem, se difere da educação à distância graças aos menores custos com os aparatos computacionais. Já que as transferências dos pacotes de dados se dão pelos computadores disponíveis em toda a rede, ou seja, sem ficar a mercê do servidor. As transferências podem ser acessadas a partir de qualquer dispositivo, fator que realmente quebra barreiras, pois de acordo com o IBGE (2005), o número de celulares ainda supera os números de computadores na realidade brasileira.

Nessa perspectiva, a “educação em nuvem” representa mais uma oportunidade de se possibilitar o alcane à “àgora digital”, onde todos os conhecimentos estariam abertos em flutuação constante na rede, sem depender necessariamente de atrelar o acesso em ambientes físicos. Contudo, cabe pensar se este ambiente virtual já existe e se as pessoas que têm a possibilidade de usar dispositivos eletrônicos (celular, TV, videogame, etc.) terão as competências necessárias para acessar o conhecimento disponível na nuvem.

O fato desses dispositivos povoarem a realidade da maioria dos sujeitos é um ponto positivo que com certeza agregará novas possibilidades de acesso à informação para cada vez mais pessoas. Entretanto, cabe a reflexão do que estão chamando de “educação em nuvem”; qual a ligação desta com a escola? trata-se de educação formal ou informal? quem tem acesso e, principalmente, é necessário mediação humana para acessar? No nosso entendimento, essas são umas das questões que precisam ser observadas com certa profundidade antes, até mesmo, de intitularmos mais um termo para a área. Compreendemos que a interconexão sobre estes dispositivos, ou seja, a computação em nuvem corrobora como ampliação dos ambientes por onde podem circular a informação e produção de conhecimentos. Com isso percebemos um alargamento das possibilidades pedagógicas da escola, ou seja, uma coalizão das atividades educacionais aos dispositivos que a nuvem proporciona, conduzindo ao aprendizado.

Mais uma vez, na nossa perspectiva, parece que o debate sobre o acesso e desenvolvimento frente a essas tecnologias deve ser considerado. E, acrescentamos que se trata de um tema com bastante espaço para a discussão e aprendizado.
Por Barbara CN

Para saber mais sobre computação em nuvem na educação, veja:

1 – Mansur, et al. Novos rumos para a Informática na Educação pelo uso da Computação em Nuvem (Cloud Education): Um estudo de Caso do Google Apps. 2010.
2 – Cloud Education – Educação em Nuvem

Crônica dos Comuns – Tecnologia da relação: a Web 2.0

Tecnologia da relação: a Web 2.0
imagem de bsf.org.br

Já dizia o Chico Buarque que os cidadãos japoneses, chineses, espanhóis, lituanos, alemães, bombainos e hindús… fazem, mas para fazer é preciso algum tipo de relação, seja ela intencional, induzida, consequente, etc. A relação é o eixo central da Web 2.0; é o “entre” de acordo com Primo (2007).

Web 2.0, também conhecida como Web Social, trata-se da nova geração de serviços on-line que possibilita “[…] potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações, além de ampliar os espaços para a interação entre os participantes. (Primo, 2007, p.115). Para O’Reilly a web 2.0 se configura como uma arquitetura de participação por funcionar conjuntamente como servidor/cliente e possibilitar o desenvolvimento por meio da usabilidade.

A Web 2.0 tem ênfase na publicação para participação, pois ao publicar suas informações o indivíduo tem acesso à participar da informação de outros sujeitos. O alcance dos blogs como ferramenta de comunicação que proporciona a criação de pequenas redes de amigos ou grupos que possuem interesses em assuntos específicos.

O modelo massivo de internet, não colaborativo, fortalece o centro, enquanto que a Web 2.0 se desenvolve pelas bordas da rede. Sua perspectiva é hibrida entre o pull e o push, ou RSS (sistema que possibilita o internauta ser um assinante de informações atualizadas sobre o seu interesse). Outro aspecto também muito comentado sobre a Web 2.0 é seu mecanismo de indexação, ou seja, as folksonomias que possibilitam a entrada de palavras sem ordem de classificação. As folks possibilitam a indexação livre de termos que visam recuperar a informação, bem diferente das taxonomias (baseado no vocabulário controlado) muito utilizadas para a classificação na indexação do conhecimento nas bibliotecas. As TAGs são as palavras indicadas pelos internautas dos micro blogs, visando criar significado e registro que permite a recuperação da informação.

A Rede social se apresenta como maior contribuição para a rede por permitir a abertura para o trabalho coletivo, sendo uma alternativa aos indexadores. Exemplo disso, Blog em sites fixos de bibliotecas. A web social vem sendo celebrada e tem funcionado em algumas experiências junto às bibliotecas, apresentando bons resultados no estabelecimento de mais um canal de comunicação entre os usuários e os bibliotecários. Muitas instituições têm utilizado serviços da Web 2.0, mas essa vai além de possibilitar a conexão entre organizações e indivíduos, ela promove interação entre os envolvidos. É um fenômeno sistêmico e independente.

Primo (2007) chama atenção a uma questão relevante. Para ele a observação sobre a Web social não deve ter enfoque em um lado (EU-BLOG) ou (TU-sujeito), mas sim observando o relacionamento que é possível ou existe “entre” as partes. Ou seja, no caso da rede social como mais uma ferramenta de comunicação, a observação deve ser também na relação que promove a construção coletiva em torno da proposta que estes atores estão envolvidos. Quando (EU-BLOG) realizo um post, por exemplo, contribuo com a coletividade. Um ato sistêmico e cíclico, onde nosso envolvimento na rede nos faz inventar e sermos inventados pela coletividade. Nessa atitude não precisa necessariamente haver um diálogo. Essa relação de cooperação com a coletividade não é sempre deliberada ou intencional; voltemos a pensar na relação necessária para fazer “algo” de acordo com o trecho da canção do Chico. Façamos… vamos nos relacionar
Por Barbara Coelho

Mais informações sobre WEB 2.0 consulte:
1 – What is web 2.0?
2 – Primo, A. O aspecto relacional das interações na Web 2.0.
3 – Moreiro González, J.A. et al. De repente, todos hablamos de ontologías?

Mundo Cognitivo é incluído!

Olá, mundo! O Blog Abordagem cognitiva para inclusão digital (ACID) é um espaço transdisciplinar de pesquisa, de temas que envolvem as áreas Educação, Ciência da Informação e Relações Internacionais. Criado em 2007 na UFBA, agrega assuntos e interessados em mediação, políticas de informação, inclusão digital e cognição.