Colóquio Internacional em Convergências em Ciência da Informação, Tecnologia e Educação – CONCITEC

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A poesia brasileira perde Myrian fraga

“A noite em que ouviu a primeira gargalhada pensou que talvez devesse reforçar um pouco mais as janelas. Não que as julgasse particularmente vulneráveis, mas os ferrolhos não eram lá muito resistentes e, depois, nunca se sabe”. 

Barbara Coelho_Myrian Fraga_Joaci Góes

Joaci Góes, Barbara Coelho, Myrian Fraga

Quero começar este post com um trecho de um dos meus contos favoritos. O título enigmático foi o que me chamou atenção para leitura. Lembro perfeitamente quando li este conto de Myrian Fraga pela primeira vez. Foi na pausa do trabalho, quando a Revista n.50 da ALB havia acabado de sair do forno editorial em uma tarde de verão, na ensolarada Salvador.

Li e reli várias vezes, não para entender o que eu talvez tivesse deixado passar, mas, simplesmente, porque achei interessante. O texto, de certa forma, tinha mexido com alguma coisa no meu intimo que eu não sabia o quê, e nem estava interessada em saber. Simplesmente o sentimento que me enchia a partir do arranjo das palavras que crescia a medida que se aproximava do final tornou esta leitura sempre surpreendente para mim.

Tive a oportunidade de dizer-lhe o que sentia quando li o seu conto, lógico que com minhas palavras. Algo bem diferente das palavras intelectuais e bem formuladas, que, pelo menos, eu penso ela ser acostumada a ouvir. E a bela escritora abriu seu sorriso e me disse: que bom, eu também gosto muito deste texto.

Deus a tenha em um bom lugar! é o que minha mente quer expressar agora que eu soube que ela partiu. Deus a tenha!

Conto citado “As hienas” disponível na Revista n. 50 da ALB (Myrian Fraga: 1937-2016).