CAN ONE LAPTOP PER CHILD SAVE THE WORLD’S POOR?

File:LaptopOLPC a.jpg  Artigo mais recente de um dos meus referenciais, Mark Waschauer, questiona se um computador para cada criança pode salvar o mundo da pobreza?

O artigo intitulado “CAN ONE LAPTOP PER CHILD SAVE THE WORLD’S POOR?” apresenta uma discussão sobre o programa americano “Um Computador por Aluno”.  Esse programa que teve inicio nos EUA a partir do Negroponto foi replicado em muitos países, inclusive no Brasil.

Recomendo ler este artigo associando ao livro do Jan van Dijk “The Deepening Divide, Inequality in the Information Society'” ou Aprofundamento da exclusão: desigualdade na sociedade da informação.

by Barbara Coelho

 

Relatório do BDI sobre os Programas UCA / OLPC

Relatório do Banco de Desenvolvimento Inter-Americano (BDI) divulga dados sobre os Programas UCA

Foi publicado em fevereiro de 2012 o Relatório de Tecnologia do Banco de Desenvolvimento Inter-Americano (BDI) ou em inglês (IDB), intitulado Technology and Child Development: Evidence from the One Laptop per Child Program. O documento traz dados e algumas evidências sobre os efeitos de ordem prática, de leitura e cognitivos dos programas One Laptop per Child (OLPC) ou Um Computador por Aluno (UCA) implementado em 36 países, incluindo o Brasil.

Destaque para o Peru, que apresenta um estudo realizado em 319 escolas, que foram dividas em dois grupos, sendo o primeiro (grupo de tratamento) com 209 escolas que receberam o UCA e o segundo (grupo de controle) com 210 escolas onde os computadores não foram implementados. O Relatório informa que houve aumento no número de acesso à internet tanto na escola quanto em casa por meio dos laptops. Contudo, o experimento não percebeu melhoras significativas na aprendizagem das disciplinas, principalmente matemática, na linguagem escrita e oral. Também não foram percebidas influências do programa no relacionamento com a leitura em nenhum dos dois grupos. Sendo que no grupo de tratamento, os laptops continham 200 livros para download. Como saldo positivo o estudo mostrou melhoras quanto ao traquejo na utilização com a tecnologia no grupo de tratamento (escola com UCA implementado).

Este resultado, que também foi noticiado por João Mattar, não me surpreende tanto. Venho pesquisando sobre a relação do sujeito com o computador e a internet, procurando observar evidências de melhoras cognitivas e sociais, e estou a cada resultado mais convencida que a mediação é relevante. A mediação humana é ainda muito importante na relação com as tecnologias, principalmente quando se tem objetivos educacionais e de inclusão social embutidos na proposta. A disponibilização de computadores e internet sem alinhamento objetivo e concreto com a formação dos professores, monitores, tutores e ao currículo ou proposta pedagógica não podem fazer mágica.

Contudo, penso que os dados do IDB com respeito ao Peru representam um resultado extremamente relevante e que deve ser observado como parcial ou primário dentro de uma perspectiva de longo prazo. O programa foi analisado após 15 meses de sua implementação no Peru. Também deve ser comparado com outras experiências de implementação do UCA em outros países, a exemplo do Conectar Igualdad da Argentina, que tem apresentado resultados positivos.
Documento citados:
– IDB http://www.iadb.org/en/research-and-data/publication-details,3169.html?pub_id=IDB-WP-304; – Conectar Igualdad ; – Blog João Matar ; – Abordagem cognitiva da inclusão digital. Fonte da foto: Nytimes.