Gerações e Cultura Digital

Gerações Ciborgues Interpretativos e Cultura Digital

Por Barbara Coelho Neves

 

Mapa Geração_Benevento_Barbara CoelhoFonte da imagem: geracoes.png – MuriloBenevento.

Na sociedade atual, o conhecimento tem se tornado “mais que” essencial para as riquezas das nações. Autores como Castells (2000) e González (2006) defendem que este bem, que já foi tido como privado, hoje se converteu em um recurso público. Entretanto, até que ponto os próprios mecanismos de disseminação da informação não são, também, o principal meio de privatização do conhecimento? A longo prazo, a informatização será “para o bem ou para o mal” um ingrediente fundamental do “equilíbrio da autoridade que representa o Estado e a liberdade da sociedade.”(Felicié Soto, 2008, p.20, tradução nossa). Nesse novo modelo de sociedade, onde a convergência da informática, comunicação e informação cooperam ou desfiguram a sustentação da democracia no mundo, surge o conceito de sociedade da informação. (NEVES, 2010).

De acordo com a Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (2009), a sociedade da informação é um conceito em evolução que vem alcançando variados níveis em todo o mundo, consoantes as diferentes etapas de desenvolvimento de cada país. A sociedade da informação é uma sociedade configurada em redes, ou seja, um conjunto de pontos de conexão, também chamados de ‘nós’ onde podem circular a informação tendo como exemplo “[…] os mercados de bolsas de valores e suas centrais de serviços auxiliares avançados na rede dos fluxos financeiros globais”. (Castells, 2000). Diante disso, a estrutura social foi configurada para comportar interrelações entre redes; proporcionando a convergência cultural, política e organizações sociais, visando à exclusão do espaço e anulação do tempo. (NEVES, 2010).

Diante de tantas transformações presencia-se o choque de contextos geracionais que são atribuídos aos sujeitos em seu tempo. Eis a convergência do que tem sido convencionado a chamar de Geração CyberAholics. Vale salientar que estas gerações convivem no momento atual, interagindo nos diferentes contextos relacionais da Sociedade. Exemplo disto, o que presenciamos na Educação.

Para tratar dessas interações no contexto educacional, apresento a mestranda Quésia Damasceno. Ela ficará responsável em alimentar está página, no Inclusão e Cognição, apresentando mais reflexões e um leque de referencias sobre este assunto, na mediada que avança em seus estudos.

A seguir algumas características das gerações:

Tradicionais (nascidos até 1950).
Geração Barbara CoelhoLiderança atribuída a consciência de hierarquia.
Possuem uma perspectiva prática e são altamente dedicados.
• Valores individuais quanto à religião, política e trabalho.
• Disciplina e respeito pela hierarquia, postura diante da autoridade é de respeito.
• Distanciamento entre chefes e empregados.
• Visão ideologizada da Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC).
• A tecnologia como Deusa.

 

Baby Boomers (nascidos entre 1950 e 1961).
Ocupam cargo de topo na hierarquia ou são profissionais de nível sênior.
“Vestem a camisa” – são pessoas totalmente voltadas ao trabalho, que é sua prioridade no. 1.
• Voltado a resultados e são competitivos.
• Maior dificuldade é a perda de status e poder.
• Liderar significa comandar e controlar.
• Não se preocupam muito com qualidade de vida.
• Têm uma relação difícil com tecnologias digitais, aprenderam a lidar depois de adultos; Também conhecidos como aborígines digitais.

Geração X (nascidos entre 1962 e 1977)
Geracao X_Adaptado por Barbara coelhoOcupam cargo intermediário na hierarquia ou são profissionais de nível pleno.
• Têm muita experiência e dedicação.
• Têm um medo inconsciente de ser despedido e de ser ameaçado por alguém da geração Y.
• Também vestem a camisa, com foco em resultados.
• Buscam equilibrar a vida pessoal com a profissional.
• São “imigrantes digitais”, aprenderam a lidar tecnologias digitais na adolescência.
• Costumam ter um elevado nível de estresse.

Geração Y (nascidos a partir de 1978)
Ocupam cargo iniciais na hierarquia ou são profissionais de nível sênior; em TI podem ocupar cargos de direção.
• Têm forte auto-estima e compromisso não negociável com valores.
• São fascinados por desafios, e querem fazer tudo do seu jeito.
• São impulsivos e enfrentam sem medo posições de poder e autoridade.
• São “multitarefa”; São individualistas, seguros e energéticos.
• São “nativos digitais”.
• Têm facilidade com reuniões virtuais; Gostam de atividades em recursos digitais. Alguns são atraídos pelas atividades nas TIC por compreendê-las como uma “novidade”.
• Querem flexibilidade de horários e preferem roupas informais.
• Dificuldades com hierarquia, vivem em rede e odeiam burocracia, controles e atividades rotineiras.
• Também conhecidos como geração power-rangers.

Geração Z
(nascidos entre 1991 e 1999)
Essa geração surgiu como concepção sucessora no final de 1982 (começo do Echo Boom), aceita internacionalmente e adotada entre 1993 a 1995. Ou seja, geração que corresponde à idealização e nascimento da www – World Wide Web, criada em 1990 por Tim Berners-Lee (nascidos a partir de 1991) e no “boom” na criação de aparelhos tecnológicos (nascidos entre o fim de 1993 a 2010). A grande nuance dessa geração é zapear, tendo várias opções, entre canais de televisão, internet, vídeo game, telefone e mp3 players.
As pessoas da Geração Z são conhecidas por serem nativas digitais, estando muito familiarizadas com a rede mundial de computadores, compartilhamento de arquivos, telefones móveis e mp3 players, não apenas acessando a internet de suas casas, e sim também pelo celular, ou seja, extremamente conectadas à rede. (Adaptado de Benevento).

Geração Milenium (nascidos a partir de 2000)
Slide1Nasceram e cresceram juntos com internet. Demandam novas ações e pedagogias para aprendizagem. “Veja o video – Você não é minha professora“. Seus documentos estão na nuvem, seu ambiente são os diferentes aplicativos na internet. Transforma a rede na medida que também é transformado por ela. Seu contexto de atuação é dinâmico e disperso, mas ocultamente contextualizado.

Texto produzido pela profa. Barbara Coelho para Inclusão e Cognição. Se você leu, contribua. Sobretudo na reflexão que trata da geração Milenium. Esta é uma incógnita, não é mesmo…