Faced sedia mesa redonda sobre Ética Hacker

Evento integrou programação da Acta 11 e esclareceu que hackers são muito mais que jovens aficionados por tecnologia, sempre dispostos a invadir sites e quebrar senhas, eles têm uma ética baseada na cooperação.
Por Ítalo Cerqueira*
Como aliar a ética que norteia as ações hacker com o modelo educativo dos dias atuais? Essa foi a discussão que marcou a última terça-feira (08), no auditório 2 da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), com a mesa redonda “Ética Hacker e Educação”.

O primeiro a se apresentar foi o professor do Instituto Federal da Bahia (Ifba), Harlei Rosa. Ele trouxe uma explanação sobre conceitos iniciais em software livre, comentou a história da plataforma Linux (elaborada por Linus Torvalds) correlacionando com os princípios que regem as atividades hackers.

Rosa fez questão de esclarecer o que são de fato hackers, ele afirma que no imaginário social “são jovens que não saem do quarto e sempre estão dispostos a invadir computadores, o que não é verdade, pois hackers são aqueles que fazem suas atividades de forma apaixonada, estão sempre dispostos a compartilhar informações e colaborar, além de serem muito criativos”. A partir de então, o professor introduziu as quatros liberdades que o usuário dispõe em software livres, que são: executar o programa, estudá-lo, redistribuí-lo e modificá-lo. E ele salienta para o fato que não é porque o software é livre que ele é gratuito, “se o software é livre, eu posso cobrar também”, destaca. E é neste sentido que o Linux desponta como uma grande surpresa coletiva, pois o “Linux prova que você pode sobreviver, até ganhar dinheiro na colaboração”, afirma Harlei Rosa. Por fim, ele finaliza sua fala alegando que “o software livre pode contribuir para a inclusão social”, proporcionada pelas práticas de compartilhamento e na colaboração.

Em seguida, o professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe (IFS), do campus São Cristovão, Marcos Aurélio Rodrigues, explanou sobre a “A Ética do Trabalho” pelo olhar hacker. Ele esclarece que todo profissional que se dedica com amor àquilo que ele trabalha pode ser considerado um hacker de sua profissão, pois o valor que o guia é a paixão, ele se dedica para ver seu trabalho pronto. Além disto, ele faz um contraste entre a ética do trabalho vigente no modelo capitalista contemporâneo e o modelo hacker, para ele no modelo capitalista o trabalho é a coisa mais importante na nossa vida, pois é a partir dele que se recebe o dinheiro, enquanto que no modelo hacker, o dinheiro também é importante, mas não chega a ser tão preponderante, porque contribuir para o outro através de sua profissão é o que é visto como essencial de fato. Rodrigues alega que a ética do trabalho capitalista não deixará de existir, o ideal seria que ambas coexistissem, por fim a “Ética Hacker perpassa pelo princípio no qual todo conhecimento adquirido deve ser compartilhado”, salienta.

Logo depois, quem se apresentou foi o professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), campus Irecê, Robério Barreto e a professora e pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Educação, Comunicação e Tecnologias (GEC) e Faced daUfba, Bárbara Coelho, eles participaram da mesa “A Ética do dinheiro”.

Durante apresentação Barreto parafraseia a frase “Time is Money” de acordo com os preceitos hackers: Informação trocada em rede é compartilhamento, e compartilhamento para o hacker é dinheiro. A partir de então, ele fundamenta sua apresentação na alegação de que o papel do dinheiro para o mundo hacker é meramente simbólico e que o reconhecimento é a verdadeira moeda no mundo hacker, sendo este reconhecimento “determinado pela posição que ele ocupa na comunidade hacker”. Na sequência, a professora Bárbara Coelho dá prosseguimento ao tema, abrindo sua fala com a seguinte frase: “Os hackers tem uma preocupação com a difusão da informação” e acrescenta que o fato do modelo hacker não colocar o dinheiro como objetivo principal não o diminui.

Para finalizar, a apresentação da pesquisadora do GEC e Faced da Ufba, Marildes Caldeira tratou da temática “O modelo de aprendizagem dos Hackers”, momento em que ela expôs diferenças entre o modelo tradicional de ensino (tido para ela como modelo de Mosteiro), fechado e catedrático e o modelo hacker (ou modelo de academia), aberto e de bazar. Neste último, ela afirma que apesar de receber o nome de “academia”, nada ele tem a ver com o modelo universitário vigente, pois este é um modelo que se aproxima bastante do primeiro, “com conteúdos descontextualizados, com currículos engessados e estratégias de ensino baseada na transmissão”, ressalta. Caldeira ainda afirma que o modelo hacker estar pautado na paixão pela aprendizagem, autonomia, ativismo, investigação, co-criação, criatividade, criticidade e coletivismo e que hoje o “professor está preso na sobrevivência. A escola ainda está na era da modernidade, enquanto lá fora estamos vivendo na pós-modernidade”, conclui.

*Ciência e Cultura – Agência de Notícias em CT&I da Bahia

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